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Moonlight anunciado como o Melhor Filme de 2016.
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A premiação mais esperada e mais importante do cinema mundial, o Oscar – a última da temporada de premiações – teve tanto tempero e enredos, que até parecia estar no clima do carnaval do Brasil. Desde a acidez nada velada das tiradas do apresentador, o comediante Jimmy Kimmel, em relação à posição da classe artística dos Estados Unidos com a presidência do país, até o anúncio equivocado no prêmio mais importante da noite, o de melhor filme, o Oscar pareceu querer se mostrar, como tem sido costumeiro, mais humanizado.
Ainda que, historicamente, seja um show de
norte-americanos feito para norte-americanos, o ponto central de todas as
discussões foi a política imigratória defendida pelo governo atual, algo
repudiado pela classe artística, já que são muitos os imigrantes que fazem
parte do meio e que contribuem em peso para a indústria.
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| Meryl Streep sendo ovacionada no Teatro Dolby. |
A atriz Meryl Streep foi uma das protagonistas da
noite, não por ter ganho algum prêmio ou pelo recorde de 20 indicações ao
Oscar, mas por ter sido aplaudida de pé, após o apresentador lembrar a
acalorada discussão entre a atriz e o presidente Donald Trump na mídia, quando
a mesma, no Globo de Ouro, em tom de repulsa, discursou contra as atitudes do presidente,
e este rebateu dizendo que Meryl era superestimada como artista.
Seguindo a cerimônia, teve balõezinhos com doces
caindo do teto do teatro Dolby, teve turistas fazendo visitação, teve mais
piadas sobre Trump e não teve recorde batido por La La Land. O musical igualou o recorde de indicações, 14, mas
levou apenas (força de expressão) seis, incluindo melhor diretor, Damien
Chazelle, e melhor atriz, Emma Stone.
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| Viola Davis, melhor atriz coadjuvante, por Fences. |
Um dos prêmios mais aguardados da noite era o de
melhor atriz coadjuvante, que, como esperado, foi para a sensacional e intensa
Viola Davis, pela sua atuação em “Um limite entre nós” (Fences). Também como
era de se esperar, a atriz fez um discurso emocionante, realista e intenso e
foi aplaudida de pé.
Outros prêmios importantes foram de Roteiro Original,
vencido por “Manchester à beira-mar” (Manchester by the sea), filme pelo qual
Casey Affleck levou o prêmio de melhor ator, Roteiro Adaptado, vencido por
Moonlight, que também levou a estatueta de melhor ator coadjuvante, com Mahershala
Ali.
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| Damien Chazelle, diretor de La La Land, é o mais jovem a receber o prêmio. |
Mas, a cereja do bolo, claro, ficou para o final,
com o anúncio do melhor filme. Se a intenção da organização era tornar o Oscar uma
festa mais humanizada, o final foi o melhor dos fechamentos para o roteiro
idealizado.
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| Warren Beatty e Faye Dunaway |
Warren Beatty e Faye Dunaway, no melhor estilo Miss
Universo 2015, leram de forma equivocada o vencedor, inicialmente La La Land. O
que ninguém sabia, mas desconfiou, já que os atores, ao abrirem o envelope,
fizeram cara de surpresa e refugaram, era que La La Land não havia sido o
premiado e que o envelope dado aos “anunciantes” do maior prêmio da noite era o
de melhor atriz (Emma Stone, La La Land), um erro da produção e da empresa
responsável pela impressão dos cartões, que tratou, não tão rapidamente (pois
quase todos os produtores já haviam feito seus discursos), de se retratar e
mostrar o cartão correto, no qual constava que o vencedor havia sido Moonlight.
Enfim, o Oscar foi um prato cheio não só para quem
curte roteiros cheios de intensidade, mas também para Trump, que tem, agora, várias
possibilidades para escrever em seu Twitter, como costuma fazer para rebater as
críticas que recebe.
Se foi “combinado” ou não o erro, o fato é que o
Oscar e o erro no Oscar foram dois dos assuntos mais discutidos nas últimas
vinte e quatro horas nas mídias!
Texto: Beethowem Leite, Meu Estilo - Natura




